Sobre o discurso de Makuta N’kondo

Calar-se perante o que se ouve não significa necessariamente consentir o que se disse. Eu, porém, preferi não me calar para não ser confundido com os que consentem. Quero também discordar (neste instante) daqueles que dizem que dar ouvidos a imbecilidades é pactuar com as mesmas, mas apoio aqueles que defendem que quem fala o que quer ouve o que não quer.

Neste texto, pretendo, por um lado, mostrar exactamente que não me calo, pois quero reagir e entoar bem alto o grito da discórdia sobre as barbaridades recentemente proferidas por um incauto agente da retrógrada política doméstica e, por outro lado, mostrar que o facto de ter dado ouvidos ao tal despropositado e inusitado discurso não significa ter corroborado com os mentores da ideologia separatista. É também minha intenção dizer o que alguns jamais quereriam ouvir.

Makuta N’kondo ( na foto)ou N´koto (já não me lembro) é o nome que se atribui na sua identificação. Não me preocupo com a veracidade da identificação, nem tão pouco com a sua identidade, embora se tenha voluntariado a enfatizar o seu discurso numa das línguas de Angola. Pelo seu retrato físico, o dito cujo assume-se ser angolano “genuíno”, pondo em causa a angolanidade de quem não se lhe assemelha. No seu discurso, marcado por influências de factores adversos à língua de Camões, Makuta concilia à voz a sua imagem: uma entoação de quem está habituado a dizer o que não sabe (embora saiba o que não diz), o timbre de quem não teve berço aos 3 anos e uma personalidade mentecapta, características associadas a um indivíduo traumatizado e condenado à falência política. Um energúmeno absoluto.

Por mais que eu tente esquecer o depravado discurso, não vejo razões para o fazer. Estou triste! O que me entristece não é apenas o facto de existir indivíduos que pensam como este senhor, achando-se no direito de ferir susceptibilidades para atingir o seu alvo, sem pejo ou pudor. O que me entristece também é saber que indivíduo como Makuta seja conselheiro político de quem almeja um dia governar a minha Pátria. Não consigo depreender que tipo de conselho o Presidente da UNITA absorve de um indivíduo separatista, tribalista e racista que discrimina publicamente uma parte do nosso Povo. Aliás, a postura de Makuta permite-me duas leituras: ou o Conselheiro de Samakuva é um político decadente e preconceituoso, amarrado a um passado que o persegue; ou desconhece a situação histórica e geográfica da Pátria que assume ser “genuíno”, o que simplesmente mostra a triste figura de um político bronco.

Ser opositor ao Governo e ao Presidente da República está ao alcance de toda a gente, pois, para tal, não é necessário milagre, basta filiar-se a um partido político da Oposição. Por outro lado, ser ignorante ou estar indignado perante os factos é também do direito de cada um, porém, acontece que uns exageram, chegando ao ponto de perderem a noção do ridículo, se não vejamos:

A diversidade populacional em Angola caracteriza-se pela existência de três grupos: 1) Povos de origem bantu, 2) Povos de origem e descendência Europeia e 3) os Khoisan e os Vatwa (camussequeles). A História ensina-nos que os Khoisan e os Vatwa foram os primeiros habitantes (donos) do território que veio a chamar-se, mais tarde, de Angola. Com os êxodos populacionais conhecidos como Migrações Bantu, chegaram ao território dos Khoisan e Vatwa os Povos Bantu (Bakongo, Ovimbundu, Ovambu, Ambundu, etc.), provenientes da região dos Grandes Lagos de África Central. À medida que a afluência dos Bantu se estendia por todo o território dos Khoisan e Vatwa, estes viam-se forçados a ceder espaço, refugiando-se a Sul, escapando a fúria dos Bantu que, por sinal, se apresentavam socialmente mais organizados e, quiçá, mais desenvolvidos. Com a chegada dos Portugueses, e a posterior construção do Estado Colonial, foram impostas novas fronteiras, como formas de legitimação da partilha de África. Uma das consequências das novas fronteiras ficou reflectida no número desproporcional dos Khoisan e Vatwa que ficaram em Angola, onde estes são a minoria ao contrário do que acontece na Namíbia, Botswana e até África do Sul, onde encontramos também estes Povos. Portanto, a haver africanos autóctones no actual território de Angola, estes são sem dúvidas os Khoisan e os Vatwa.

A História diz-nos também que antes da chegada dos Portugueses, os Povos bantu já eram politicamente organizados em Estados independentes, ou seja, os reinos. Cada Povo tinha o seu reino e dispunha de um território autónomo. Tal, como acontece nas sociedades modernas, os Bantu tinham conflitos e boas relações entre si. Guerreavam-se entre si e os vencidos eram submetidos a várias práticas, incluindo a subserviência e a escravidão.

Um dos reinos poderosos que foi formado no antigo território Khoisan foi o do Congo que, após a partilha de África, ficou amputado, tendo a sua capital e alguns estados adjacentes ficado no novo território Angola. Para além de Angola, o Reino do Congo abrangia outros territórios, actualmente, partes integrantes de outros países, como são os casos de RDC (ex Zaire), Congo Brazaville e Gabão. Aliás, a amputação dos Povos foi extensiva a todos os reinos situados nas actuais zonas fronteiriças. Por esta razão, na Namíbia por exemplo, o nosso herói Mandume é considerado namibiano e aclamado como herói nacional daquele país vizinho. Esta situação põe em causa a “genuidade” angolense defendida por muitos oportunistas de ocasião que, por essa ou aquela razão, se julgam ser mais angolanos que os outros. Quem sabe, um estudo sobre a linhagem do nosso politólogo, conselheiro de Samakuva não revele outra descendência, tipo zairense ou outra qualquer que não me interessa!?

Sabe-se que os Portugueses preconizavam uma política não só de assimilação, mas também de miscigenação dos Povos conquistados para fortalecer a unicidade do império que se erguia, sob domínio colonial. A nível interno, por exemplo, no território criado pelos portugueses, a actual Angola, os Povos bantu eram deportados das suas terras para outras, e muitos eram expatriados para outras colónias e outros seguiam o movimento inverso. É assim que se ergueu Angola. É esta Angola a terra dos angolanos, cujas descendências derivam das miscigenações entre Bantu do Norte, Sul, Este e Oeste, e entre estes e os de origem Europeia. Assim, nasceu a angolanidade: ou somos todos crioulos ou somos todos angolanos.

O que eu não entendo é que haja políticos interessados em ver angolanos estampados na cara o percurso da sua linhagem. Não sei que raio motiva um político para estas tendências ‘xenofóbicas’. Porém, de uma coisa sei eu: Makutas em Angola há aos montes e na sua maioria são políticos providos do preconceito, usando discurso estigmatizado pela retórica dos anos 60 e é por existirem políticos como estes que temos um partido convencido de que vai governar o país por mais de 40 anos.

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3 Comments for “Sobre o discurso de Makuta N’kondo”

  1. O proprietário deste portal viola tudo sobre o jornalismo,quem escreveu este artigo?A Fonte deste Artigo?

  2. aaa

    Neste site os comentarios são muito complicados, daí quase ninguém comentar em relaçáo ao angonoticias, angola24hoas, cku k,net.

  3. Façam algo simples para os utilizadores! Website? e-mail obrigatório? para kê?

    As caixas de texto, textbox, estão da mesma cor k a página! tentem destacá-las

    Vai ficar bom e concorrido! o começo é sempre assim. Forte abraço

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